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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

As condolências do episcopado mexicano ao "Chespirito", o "Chaves"

O cardeal Norberto Rivera Carrera, arcebispo Primaz do México, e da Arquidiocese da cidade do México, expressou suas mais sentidas condolências pelo falecimento do ator e roteirista Roberto Gómez Bolaños, "Chespirito", (apelido carinhoso que os mexicanos lhe deram e que relembra o escritor Shakespeare), especialmente conhecido pelos seus personagens “Chaves”  e “Chapolin Colorado”. O ator mexicano faleceu sexta-feira passada aos 85 anos em Cancun.


"Ao longo de sua carreira, foi a alegria de muitas gerações de mexicanos e do público em geral, para além das nossas fronteiras", disse o comunicado publicado pelo sistema de informação da Arquidiocese do México.

Também indicam que Roberto Gómez Bolaños foi "um grande promotor da vida familiar, e através de seus personagens, soube mostrar com simplicidade valores como a amizade e a solidariedade, além de que foi um incansável defensor da vida humana desde o momento da concepção”.

Roberto Bolaños é enterrado na Cidade do México


O enterro de Roberto Bolaños aconteceu nesta segunda (1º/12/2014), no cemitério Panteón Francés, na Cidade do México. Segundo o jornal mexicano "El Universal", pouco depois do meio-dia (16h no horário de Brasília), o corpo do criador de "Chaves" e "Chapolin" chegou ao local.

Uma das filhas de Bolaños, ainda segundo o jornal, fez um discurso no início do funeral: "Descanse em paz, papai. Já te revelaram os mistérios dos sábios. Viu o rosto de Deus". Sem chorar e aparentando estar calma, Florinda Meza foi recepcionada por amigos ao chegar ao local.

domingo, 30 de novembro de 2014

Por que a esquerda odeia Chaves?

Pouquíssimos artistas conseguem ser tão amados e respeitados quanto o recém falecido Roberto Gómez Bolaños. Sua morte foi lamentada ao redor do mundo por pessoas das mais variadas idades, classes sociais e credos. A maior de suas criações foi o seriado “El Chavo del Ocho”, “Chaves”, no Brasil. É difícil encontrar quem não tenha se rendido ao talento daquela trupe que sabia fazer rir sem apelações. Mas há quem sinta um profundo ressentimento pelo sucesso do programa. Li alguns textos críticos ao trabalho de Bolaños, a maioria de autores marxistas inconformados pela série não seguir a linha esquerdista de enxergar o mundo. Eis algumas características do programa que os esquerdistas mais fervorosos não engolem:

O criador era conservador
O criador da série nunca escondeu suas convicções políticas. Apoiou candidatos tidos como conservadores no México, entre eles o ex-presidente Vicente Fox, cuja eleição em 2000 tirou o poder das mãos do Partido Revolucionário Institucional após 70 anos de governo. Católico, Bolanõs se uniu a grupos ligados à Igreja contra a legalização do aborto no México em 2007.

O capitalista não era malvado
Se há uma figura no seriado que pode ser associada ao sistema capitalista é o senhor Barriga. Homem bem nutrido, era o dono da vila, cobrava aluguel e tinha um padrão de vida muito superior ao de seus inquilinos. Seguindo o antigo clichê marxista, tal personagem deveria ser retratado como um tipo desalmado que oprime os mais humildes tentando saciar sua cobiça. Mas na realidade o velho Barriga era um homem de coração mole. Recebido com pancadas por Chaves quando chegava na vila, nunca levantou a mão para o garoto. Nas datas festivas trazia presentes para crianças e adultos. Numa ocasião em que todos da vila haviam viajado para o litoral, Barriga sensibilizou-se ao ver Chaves sozinho e levou-o para conhecer as praias de Acapulco. O ápice da simplicidade acontece quando o rechonchudo hospeda os inquilinos em sua própria casa quando a vila passava por reformas. Retratar um homem de negócios de forma tão humana, é algo que a turma canhota jamais perdoará.

Despedida a Roberto Bolaños reúne 40 mil no Estádio Azteca


O corpo de Roberto Bolaños, criador de personagens emblemáticos, como Chaves e Chapolim deixou por volta das 16h15 (local, 20h15 de Brasília) deste domingio o estádio Azteca, rumo a sede da Televisa, na Cidade do México. A família não divulgou qual o destino do corpo de Bolaños.

Muitos fantasiados como as famosas personagens criadas por Roberto Gómez Bolaños, o Chaves', uma multidão de mexicanos aguardou por horas em uma longa fila para poder participar das homenagens que o comediante falecido recebeu este domingo no Estádio Azteca.

"Era como um irmão, como um tio, como um pai. Por isso viemos aqui para nos despedir dele", declarou Esteban Chávez, um dos muitos fãs de Bolaños que não escondia sua tristeza.

Brasileiros respondem: "Assistindo Chaves eu aprendi..."


Ontem (29/11/14), um dia após a morte de Roberto Gómez Bolaños, perguntei na nossa página no Facebook sobre o que as pessoas aprenderam assistindo Chaves, as respostas foram muitas, mas destaco algumas aqui.

sábado, 29 de novembro de 2014

Meu cartão de São Valentim pra você...


Não me lembro de um dia da minha vida sem você. Ontem mesmo, de madrugada, estava rindo do seu jeito engraçado de tentar, sem sucesso, surrupiar um dos bolos do restaurante da Dona Florinda. E pareciam tão gostosos, como os churros que ela faz.

E, aí, morre Roberto Gomez Bolanos aos 85 anos. 85? Mas você só tinha 8... Será que a Bruxa do 71 te transformou? E eu nunca chamei você de Roberto. Você é o Chavinho, do barril, que mora ali no 8. Isso, isso, isso. Que estava aqui em casa ainda ontem. Que me levou pra Acapulco e na festa da boa vizinhança. Que almoçava comigo antes de eu ir pra escola. Que sempre passa aqui junto com o Chapolin Colorado. E por que estão dizendo que o Vermelhinho se foi se os super-heróis preferem morrer do que perder a vida?! Por que suas anteninhas de vinil não detectaram a presença do inimigo?!

Tá, tá, tá! Ninguém tem paciência comigo como você. O que seria de mim se você não tivesse me ensinado que pedras não são pedras, são aerolitos; se não tivesse me ensinado que a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena; se não tivesse me ensinado que as pessoas boas devem amar seus inimigos.

Tinha que ser o Chaves mesmo pra me ensinar as pequenas coisas da grandeza. Mas você nunca me disse que ia embora. Então, a vida fora da Vila é assim? Que burra, dá zero pra ela. Era melhor ter ido ver o filme do Pelé. Porque não dá pra conviver com o seu silêncio. Um silêncio de limão, que parece de tamarindo, mas tem gosto de tristeza. Se eu chamar por você e você não responder, vou esperar você falar "outro gato", tá?

Não cale-se, não cale-se, não cale-se. Você me deixa com saudade.

Por Adailton Costa

Todos nós somos Chaves

“Chaves, ainda que carecendo de quase tudo, é otimista, aproveita a vida, brinca, se emociona e tem o maravilhoso dom que é a vida”

Na noite do dia 27/11/2014 o humor ficou triste com a morte de Roberto Bolaños, o ator mexicano criador dos personagens Chaves e Chapolim, que a 40 anos estreou na televisão mexicana, a 30 está no ar na tv brasileira e em quase todos os países da América Latina
Enquanto a dramaturgia atual gasta milhões em seriados e produções hollywoodianas cada vez mais apelativas, os críticos se perguntam como um programa dos anos 70 ainda pode continuar conquistando pessoas e batendo altos níveis de audiência sem nenhum tipo de palavrão, ofensas a religião ou nádegas expostas para chamar a atenção.

Com a morte de Bolaños, comecei a me perguntar por que vi todo mundo sentindo a sua morte como se fosse um ente da família. Por que gostamos tanto do Chapolim? Por que assistimos os mesmos episódios por 10, 20 anos, e rimos como se fosse a primeira vez? Qual o segredo do Chaves?

Percebi que o Chaves invoca os sentimentos mais puros da nossa infância, da simplicidade de um menino, das travessuras, da necessidade da amizade, de se sentir acolhido pela comunidade e, ainda que se viva na pobreza de um barril, o que todo ser humano quer é se sentir querido e amado pelos outros.